Estudo populacional ENANI revela a prevalência de anemia e de deficiência de vitamina A entre crianças brasileiras de 6 a 59 meses

fev. 15,2021

            As crianças menores de cinco anos constituem o grupo de maior risco para as deficiências de micronutrientes, o que pode comprometer não apenas o seu estado nutricional, mas reduzir a capacidade física e reprodutiva, aumentar a susceptibilidade para infecções e causar prejuízo na maturação dos sistemas nervoso, visual, mental e intelectual. Sabemos que estes primeiros anos de vida da criança são cruciais para construir a base para um desenvolvimento físico, cognitivo e intelectual adequados e que a nutrição desempenha um papel essencial.

 

            Devido à heterogeneidade social e nutricional do Brasil, o monitoramento do perfil nutricional das crianças brasileiras permite a geração de atitude de vigilância nutricional pelos profissionais de saúde e direcionamento das ações de promoção de saúde.

 

            Os últimos dados sobre a magnitude dos problemas nutricionais no Brasil datam de 2006, com a realização da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde realizada em 2006 (PNDS2006), inquérito de abrangência nacional que avaliou as prevalências de anemia e deficiência de vitamina A (DVA) em crianças menores de cinco anos.

 

            O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), publicado de forma parcial até o momento, avaliou as práticas de aleitamento materno, alimentação complementar, consumo alimentar individual, estado nutricional, e também as prevalências de deficiências de micronutrientes – ferro, vitamina A, vitamina D, vitamina E, vitamina B1, vitamina B6, vitamina B12, folato, zinco, selênio. O resultado parcial com relação aos micronutrientes foi publicado em Novembro de 2020 e está disponível para consulta no link: https://enani.nutricao.ufrj.br/index.php/relatorios/

 

         Alguns dos achados parciais do ENANI 2019, comparados ao inquérito nacional de 2006, relacionado à prevalência de anemia entre crianças de 6 a 59 meses, chamam a atenção. Enquanto no Brasil e grande parte das macrorregiões estudada apresentaram queda do número de anêmicos, na região norte o cenário foi um aumento dos casos, conforme tabela abaixo.


Prevalência de anemia entre crianças de 6 a 59 meses, para o Brasil e macrorregiões, em duas pesquisas nacionais

 

PNDS - 2006

ENANI-2019

Brasil

20,9

10,0

Norte

10,4

10,4

Nordeste

25,5

11,7

Sudeste

22,6

7,9

Sul

21,5

7,6

Centro-Oeste

11,0

9,4

Adaptado de Enani, 2019


É importante observar que a prevalência da anemia é maior entre as crianças de 6 a 23 meses (8% no Brasil). As evidências mostram que a deficiência de ferro tão cedo na vida tem uma correlação com déficits cognitivos que podem ser duradouros ou irreversíveis.

 

         A prevalência de Vitamina A apresentada no ENANI foi de 6% para o Brasil, sendo mais elevadas nas regiões Centro-Oeste (9,5%) e Sul (8,9%), comparadas às demais macrorregiões.

 

            Os resultados do relatório do ENANI apontam que a batalha ainda não acabou. A prevenção é sempre o melhor caminho na busca por um equilíbrio nutricional e alcance do potencial máximo de desenvolvimento dessa criança, corrigindo quaisquer faltas ou excessos. Por fim, é de extrema importância que o pediatra esteja atento às estratégias de prevenção, identifique possíveis carências com base no inquérito alimentar, corrija a alimentação e inicie a suplementação medicamentosa antes do aparecimento dos sintomas.

 

 

Referências

  • 1-Cozzolino, Silvia Maria Franciscato. Micronutrientes na faixa etária de 2 anos a 6 anos de vida. ILSI Brasil,2019 . p.9.
  • 2-Carvalho CA, Fonsêca PCA, Priores SE, Franceschinni SCC, Novaes JF. Food Nutr Bull. 2015 Jun; 36 ( 2 Suppl): S95-7.
  • 3-UFRJ. Federal University of Rio de Janeiro. National Survey of Child Food Nutrition – ENANI-2019: Prevalence of anemia and vitamin A deficiency among Brazilian children between 6 and 59 months: Partial results.
  • 4-Pappas, DE, & Cheng, TL (1998). Anemia por deficiência de ferro. Pediatrics in Review, 19 (9), 321-322.