Bactérias intestinais e autismo: a importância dos probióticos

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Bactérias intestinais e autismo: a importância dos probióticos (publications)

Dr. Rubens WajnsztejnA nutrição adequada da criança, desde o útero, é essencial para que ela se desenvolva adequadamente em vários aspectos: físicos, neuropsicomotores, psicológicos e sociais. O rápido avanço tecnológico dos últimos anos, ao mesmo tempo em que tem proporcionado uma vida mais confortável aos homens, trouxe uma série de questionamentos em relação às novas interações entre os seres vivos.

Temporalmente, o intestino fetal humano é estéril, mas a colonização começa imediatamente após o nascimento e é afetada por tipo de parto, transferência materna, dieta, estímulos ambientais e uso de antibióticos (Sekirov et al., 2010). No entanto, a presença de bactérias foi detectada no mecônio de recém- nascidos saudáveis, o que poderia indicar a existência de transferência pré-natal da mãe para o filho da microbiota (Jimenez et al., 2008; e Vallès et al., 2012). No primeiro ano de vida, o microbioma intestinal é estabilizado em cada criança (Palmer et al., 2007).

Foram realizados estudos que sugerem que as bactérias intestinais são um fator importante no autismo, uma vez que crianças autistas apresentaram melhora de comportamento, comunicação e habilidades sociais após utilização de vancomicina oral. Curiosamente, pacientes autistas responderam com melhora dos sintomas da síndrome aos antimicrobianos, tais como vancomicina oral e metronidazol, em várias ocasiões, recaindo após a descontinuação e, em seguida, respondendo novamente à reintrodução destes agentes antimicrobianos.

As razões para considerar que as bactérias intestinais podem estar envolvidas no transtorno do espectro autista são: (1) o início da doença frequentemente segue a terapia antimicrobiana; (2) sintomas gastrintestinais são comuns no início e muitas vezes persistem posteriormente; e

(3) outros antimicrobianos (por exemplo, vancomicina por via oral) podem levar a uma resposta clara e a recaída ocorre quando o antimicrobiano é interrompido (Finegold, 2008).

Leia mais:

http://esciencecentral.org/journals/clostridium-bacteria-and-its-impact-in-autism-research-thinking-outside-the-box-of-neuroscience-JCDSHA.101.pdf

Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=E3957gcOTno

Referências bibliográficas

Finegold SM, Dowd SE, Gontcharova V, Liu C, Henley KE, Wolcott RD, Youn E, Summanen PH, Granpeesheh D, Dixon D, Liu M, Molitoris DR, Green JA 3rd. Pyrosequencing study of fecal microflora of autistic and control children. Anaerobe. 2010; 16(4):444-53.

Finegold SM. Therapy and epidemiology of autism-clostridial spores as key elements. Medical Hypotheses. 2008; 70(3):508-11.

Föhrer U, Westholm L. Multidisciplinary investigation is best for children with learning disabilities. Too critical attitude to diagnoses can keep the disorders hidden. Lakartidningen. 2001 Mar 21; 98(12):1374-6.

Jimenez E, Marin ML, Martin R, Odriozola JM, Olivares M, Xaus J, Fernandez L, Rodriguez JM. Is meconium from healthy newborns actually sterile? Res Microbiol. 2008; 159:187-93.

Palmer C, Bik EM, DiGiulio DB, Relman DA, Brown PO. Development of the human infant intestinal microbiota. PLoS Biol. 2007; 5:e177. Sekirov I, Russell SL, Antunes LC, Finlay BB. Gut microbiota in health and disease. Physiol Rev. 2010; 90(3):859-904.

Vallès Y, Gosalbes MJ, de Vries LE, Abellán JJ, Francino MP. Metagenomics and development of the gut microbiota in infants. Clin Microbiol Infect. 2012; 18(Suppl. 4):21-6.

Dr. Rubens Wajnsztejn - Neurologia

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